4.1.3. Plano de aula – análise reflexiva

Na planificação da aula é imprescindível que se tenha em conta as Orientações Programáticas que foram homologadas em Setembro de 2001. Assim, deve-se ter em conta que todo o processo ensino/aprendizagem deve assentar numa perspectiva construtivista, em que o aluno desempenha um papel activo no processo. É nesta perspectiva de ensino que deve assentar a estrutura do plano de aula, a qual deve contemplar:

  • os objectivos que se pretendem na abordagem de cada conteúdo, os quais irão contribuir para o desenvolvimento de competências dos domímios do saber (o conhecimento), do saber-fazer e do saber-estar/saber-ser(atitudinais/valores). É de referir que “Um ensino sem objectivos seria um ensino cego e ao acaso”((Lucie Carrilho Ribeiro,1989). Importa referir ainda que as fontes dos objectivos assentam na convergência de três domínios: universo do conhecimento, sujeito de aprendizagem e sociedade ((Lucie Carrilho Ribeiro,1989). Esta convergência insere-se numa prespectiva de formação para a cidadania, isto é, que os objectivos levem à aquisição de competências/capacidades conducentes a uma integração social, em que os indivíduos tenham um papel activo numa sociedade global, complexa e mutável.  
  • as estratégias a adoptar as quais devem ser ajustadas aos recursos da escola e ao público-alvo, os alunos, tendo em conta os pré-requisitos em termos de conhecimentos e de capacidades/competências e ainda ter em conta os objectivos.
  • a avaliação que “é inevitável numa sala de aula” (Clarence H. Neson,1976) com a qual se pretende “se está a decorrer como previsto e, por outro, averiguar se os resultados obtidos são, de facto os pretendidos… é necessário verificar, ao longo do percurso, se estão a ser cometidos erros ou desvios que vão impedir que se obtenha o produto desejado, o que, a não ser feito, pode conduzir a um insucesso final.” (Lucie Carrilho Ribeiro,1989). Segundo este mesmo autor a função da avaliação é contribuir para o sucesso, aspecto preconizado na Lei de Bases do nosso Sistema Educativo “acesso e sucesso”. As razões justificativas da necessidade da avaliação são para verificar “se cada aluno vai superando os objectivos” (José Fernando Carrasco,1989); caso o rendimento não seja o pretendido “exige sempre recuperação” (José Fernando Carrasco,1989) o que requer “analisar as causas que podem ter motivado que se atingissem deficientemente os objectivos propostos” (José Fernando Carrasco,1989)  e, consequentemente “adoptar uma decisão em relação às causas” (José Fernando Carrasco,1989). A avalição é um processo de feed-back em que, pelos resultados obtidos, são confrontados a metodologia com os objectivos no vista a uma validação. Portanto, caso os resultados pretendidos não sejam os obtidos na avaliação, deve ser feito uma reformulação dos objectivos e da metodologia adoptados, isto é, deve ser feita uma planificação que vise o sucesso.

Na planificação da aula para o 10º ano, não foi feita uma avaliação diagnóstico, uma vez que a temática nunca foi abordada em anos de escolaridade anteriores. Parti de uma questão inicial, que surge na sequência do estudo dos movimentos transmembranares, sendo esta uma barreira entre os meios intracelular e extracelular, mas é através dela que devem passar as substâncias com moléculas símples apolares e polares/iões. Os alunos já possuem conhecimento de outros movimentos transmembranares – osmose, difusão simples e difusão facilitada. Assim, a questão integra-se na temática abordada em aulas anteriores, havendo, deste modo, um fio condutor do assunto. Como os alunos desconheciam o transporte activo, utilizei a exposição, com o qual o aluno obteria conhecimentos para que os pudesse aplicar na resolução de uma situação (ficha de trabalho). Relativamente à endocitose, a questão de partida surge porque o aluno não conhecia movimentos transmembranares para macromoléculas e partículas. Deste modo, pretendeu-se colocar o discente perante uma situação diferente. A estratégia adoptada, teve como finalidade criar uma situação em que o discente fosse capaz de interpretar informação escrita para conseguir compreender o processo de ingestão de partículas pela amiba e utilizá-la na resolução da actividade do manual.

Esta estratégia de aula não teve em conta as Orientações Programáticas no que concerne à abordagem dos conteúdos numa perspectiva CTSA, uma vez que o processo baseou-se exclusivamente no aspecto científico não partindo de uma situação, nem teve qualquer aplicação de carácter laboratorial.  Quanto a este último aspecto, não temos recursos no laboratório, daí  que na planificação trimestral feita a nível da Área Disciplinar não estar contemplado trabalho laboratorial sobre o assunto abordado nesta aula. Além disto, é de referir que foi um ensino transmissivo, assente em estratégias diferentes – a exposição e a pesquisa de informação, esta última a nível individual e de grupo.

A avaliação desta aula teve carácter formativo e foi feita com base na grelha de observação e os parâmetros contemplados foram os que constam com os números 1,2,3,4,5,9,10 e 11. É de salientar o facto de não ter pretensão de avaliar  todos os alunos nesses parâmetros durante a aula. A explicação relaciona-se com o facto da turma ter 27 alunos, o impossibilita a avaliação de todos os discentes nos parâmetros de avaliação. Contudo, ao longo do período tenho o cuidado de fazer uma avaliação de todos os discentes nos referidos parâmetros, porque nas aulas centro a avaliação em alunos diferentes.

Comparando o início do aluno lectivo com o momento actual da aprendizagem constato que os discentes ainda revelam algumas dificuldades nos parâmetros 2,3,4 e 9. A explicação deve-se ao facto de, durante o ensino básico, terem tido uma aprendizagem bastante orientada para a memorização, pelo que “Saber Ciência” é reproduzir o conhecimento adquirido. Além disto, revelam algumas dificuldades no domínio da língua, o que se reflecte na dificuldade em seleccionar e organizar a informação em suporte escrito. No entanto, revelam uma boa capacidade de trabalhar em grupo, pois cooperam, respeitam a opinião dos colegas, são tolerantes, realizam de um modo organizado/coordenado as tarefas (parâmetro 11).

Face ao exposto, as estratégias que vou utilizar vão ter como finalidade promover o desenvolvimento das competências que se pretende com os referidos parâmetros da grelha, assim como de outros que não foram contemplados nesta aula, mas que os alunos revelam dificuldades e outros que também verifiquei que os alunos – caso dos parâmetros 6 e 7.

É ainda de referir que a grelha de observação utilizada, foi definida a nível de Área Disciplinar, e que estará sujeita a reformulações. Estas serão resultado das falhas/lacunas que iremos encontrando durante a sua aplicação em contexto de sala de aula.

Por fim, não posso deixar de mencionar que a apresentação do planificação na aula de Didáctica, permitiu obter um feed-back positivo da parte dos docentes dessa disciplina, porque contribuiu para uma melhor clarificação sobre a estratégia baseada no ensino por pesquisa.

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