6.1.A minha actividade docente: planificação

Em primeiro, quero destacar o facto de esta actividade ser feita a nível do grupo de professores que leccionam o mesmo ano de escolaridade e é tido em conta os seguintes referenciais:

O quê? Em que são considerados os conteúdos programáticos que são analisados a partir das Orientações Programáticas e não no manual adoptado na escola . Este é lido com a finalidade de detectar possíveis imprecisões científicas ou conter assuntos que não são contemplados no programa. Uma preocupação é integrar os conteúdos numa perspectiva CTSA, o que é contemplado nas Orientações Programáticas, o que nem sempre é feito dada a relevância que ainda é atribuído ao conteúdo contemplado nas unidades didácticas.

Para quê? Na planificação o grupo tem em conta o que consta nas Orientações Programáticas sobre as competências a desenvolver , isto é, a mobilização das capacidades, conhecimentos e meios para resolver situações… saber actuar perante situações. Para que os alunos venham a ter essas competências são definidos os objectivos – o que o aluno deve aprender perante um dado conteúdo programático.

Como? São definidas as estratégias que tentamos diversificar. Assim, utilizamos a exposição, várias vezes de forma abusiva; actividades individuais ou de grupo para a realização de actividades do manual ou de pesquisa bibliográfica sobre um dado tema que é apresentado pelo professor ou de algumas actividades laboratoriais, a partir de um guião fornecido aos alunos e, raramente, elaborado por estes. Ao iniciar uma unidade didáctica: é sempre feita uma avaliação diagnóstica para se obter um conhecimento das concepções que os alunos possuem, de modo a definir estratégias adequadas e eficazes; parte-se da questão de partida que ou é definida pelo grupo ou é a sugerida nas Orientações Programáticas. Reconheço que não partimos, de um modo geral, de uma situação problemática tendo em conta o que é defendido por Cachapuz, pelo que parte-se de uma questão que, certamente, poderá não ter significado para alunos da turma. Perante o que aprendi, questiono-me: até que ponto é que o insucesso de alguns alunos não resultará da falta de significado da questão de partida? É também de referir que o ensino é essencialmente académico e muito dirigido pelo docente, salvo nos trabalhos de pesquisa em que os alunos são mais autónomos na construção do conhecimento, na exposição/defesa do produto/s obtidos. Contudo, estes tipos de trabalhos não assentam no construtivismo, uma vez ao aluno é dado um guião de trabalho onde constam o tema ou problema, os objectivos, a metologia, o/s produto/s final/ais e a bibliografia. Portanto, é uma actividade muito dirigida, previamente, pelo professor. Claro que o aluno sente obstáculos neste tipo de actividade, faz pesquisa – recolha e tratamento de informação-  e é feito um debate, pelo que são desenvolvidas algumas competências, essencialmente as ligadas ao conhecimento dos conteúdos e à socialização. O trabalho laboratorial, raramente é de carácter experimental, porque incidem em actividades de verificação de conteúdos abordados. As saídas de campo têm como orientação o guião com o qual se pretende uma aplicação de conhecimentos adquiridos, ou seja, mais de carácter demonstrativo e não problematizante. É por estas razões que referi que desenvolvo um ensino aprendizagem muito dirigido.

Com o quê? Os recursos didácticos que utilizo são: o quadro para fazer esquemas, registar termos científicos… acetatos e o computador – powerpoint que construo ou sites com ilustrações/ animações científicas. Estes recursos são usados em aulas expositivas e são feitos ou seleccionados com a finalidade de permitir uma contínua intervenção do aluno, na qual utilizo o questionamento, predominantemente de baixo nível cognitivo. É uma estratégia que permite a interactividade e que mantém os alunos atentos e interessados.

Como avaliar? Os instrumentos variam consoante as competências que pretendo avaliar: as grelhas de observação incidem sobre objectivos com vista ao desenvolvimento de competências do conhecimento, planificação de situações (pouco)/ execução e raciocínio(trabalho laboratorial); conhecimento, raciocínioe comunicação (trabalho de pesquisa), socialização (trabalho de grupo); os trabalhos de investigação também são utilizadas outras grelhas que incidem sobre competências predominantemente do conhecimento e da comunicação; e os testes de escritos para avaliar as competências do conhecimento. Independemente de reconhecer que os instrumentos contemplam a avaliação de objectivos os quais desenvolvem competências principalmente do conhecimento, não posso deixar de referir o significado que a avaliação representa para mim: verificar o grau de aprendizagem dos alunos e, face aos resultados obtidos, reflectir sobre o processo educativo que promovi da qual podrá resultar uma reformulação da minha acção educativa.

Há um aspecto relativamente à planificação, resultante da minha experiência profissional, que é a flexibilidade perante as situações que são colocadas pelos alunos e que, por vezes, não consego concretizar a planificação. Quando tal se verifica não considero uma ineficácia da minha parte, porque essas intervenções dos alunos revelam o interesse/motivação.

Em face do exposto, identifico-me, embora em parte, com o tipo de professor que orienta o ensino de um modo tradicional, reflexo dos referenciais da formação inicial.

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